To the Bone – O mínimo para viver

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Oi pessoal

A anorexia é um distúrbio alimentar que acomete jovens e preocupa a sociedade há muito tempo. Em nosso Divã de hoje, iremos abordar sobre o delicado e importante assunto, analisando o recém lançado filme original Netflix “O mínimo para Viver”.

SOBRE O FILME

Estrelado por Lilly Collins (Espelho, espelho meu) e Keanu Reeves (Matrix), o filme aborda a constante batalha da Jovem de 20 anos, Ellen, contra a anorexia. Relutantemente, aceita um tratamento alternativo e acaba conhecendo outros pacientes que enfrentam transtornos alimentares. A garota acaba embarcando em uma emocionante jornada de auto descoberta, em um grupo liderado por um médico pouco convencional.

HISTÓRIA NO DIVÃ (TEXTO CONTERÁ SPOILERS)

Após passar por quatro internações, sem obter resultado de melhora, Ellen (Lily Collins) volta para casa e recebe um ultimato da madrasta: Ou ela melhora ou não mora mais com eles. O pai de Ellen é ausente e a mãe mora em outra cidade, quem a acompanha em seus tratamentos é a madrasta. Após tratamentos mal sucedidos, Ellen aceita um 5º, só que dessa vez com um método totalmente diferente dos que já havia passado e com um médico também diferente dos outros, o Dr. William Beckham (Keanu Reeves).

Ellen então passa a morar em uma casa com mais 6 adolescentes que sofrem de algum distúrbio alimentar, entre eles também aparece a bulimia e a obesidade. O método do Dr. William deixa muita gente intrigada, pois na casa onde os pacientes ficam, podem comer o que querem e recebem “recompensas” (pontos) ao comer corretamente ou de alguma forma avançar para a melhoria do distúrbio. O filme portanto, gira em torno da vida de Ellen e da convivência com essas 6 pessoas, as dificuldades que cada um passa e as superações. Ao longo do filme vemos os obstáculos de cada morador, como a da personagem Megan, que está grávida e precisa persistir no tratamento para que possa dar à luz uma criança saudável. Há também Luke, com quem Ellen se envolve amorosamente, que luta contra a anorexia para que possa voltar a dançar.

O filme gerou polêmica e discussão entre os telespectadores, dividiu opiniões, pois há cenas fortes e bem realistas. As pessoas tendem ter dificuldades em aceitar a realidade de uma situação ou doença  e quando trazida em um filme, série ou livro, o debate é grande. Quando buscamos assistir um filme, muitas vezes procuramos um final feliz e “resolvido” e não é o que acontece em “To the bone”.

A cena final pode trazer um choque para quem assiste, pois após uma longa conversa com a mãe, Ellen vai até um morro e ali desmaia. Então aparece em paralelo “sonho”, onde ela encontra Luke e vê sua imagem “definhada” e consumida pela doença, Ellen se assusta de verdade pela primeira vez e reconhece o que pode realmente acontecer,  pode morrer. Ao acordar desse sonho, Ellen vibra por realmente não ter morrido e finalmente aceita o tratamento. O filme se encerra com a personagem principal voltando à casa para se internar. Todos os outros tratamentos que Ellen participou foi por amor aos seus familiares e pela angústia que causava a eles, mas os tratamentos não tinham resultado pois ela não aceitava de fato ter um distúrbio e precisar de ajuda, continuava acreditando que necessitava dos exercícios excessivos e ainda não estava magra o suficiente, que ela estava no controle da  situação.

A anorexia é um distúrbio que precisa ser acompanhado e requer tempo. O objetivo do filme foi exatamente esse, mostrar a realidade desse distúrbio e as dificuldades que existem, ela não ia superar enquanto não aceitasse o que estava acontecendo com seu corpo e sua saúde. A partir do momento em que finalmente percebeu a gravidade da situação, é que se iniciou uma luta pela vida. Mas não quer dizer que a cura virá de imediato. Ellen entendeu que precisa passar por um processo de luta diária, de conquistas e de recaídas, mas o importante é que ela está motivada a viver e não apenas sobreviver.

Outro ponto que vale comentar é a questão da família, como é difícil para os familiares de Ellen entenderem que ela não tem total consciência das consequências dos seus atos e o quanto o estigma de “problema” tem impacto sobre a mesma. Em uma cena, em que Ellen está em uma sessão com o Dr. Beckham e toda sua família, diz para a mãe:  “Me desculpe se eu não sou mais uma pessoa, eu sou um problema”, pois a mãe explica que estava com diversos problemas e infelizmente não conseguiria lidar com ela e por isso a mandou morar com o pai. Chegou um momento, em que ela realmente começou a se ver como um “problema” ou um “fardo” para todos que a amam e isso só piorava as condições de sua doença. Quando ela percebeu o que estava fazendo consigo é que conseguiu compreender a dor dos seus familiares, deixaram de ser um “fardo” para ela e se tornaram mais uma motivação. No final ela encontra a irmã e a madrasta e da um longo abraço nelas, o que fica entendido como um agradecimento por nunca terem desistido dela e um “recado” de que desta vez vai se esforçar e vai se superar. Ellen finalmente reconheceu o esforço da madrasta e deixou de ver sua insistência para que fizesse os tratamentos como uma coisa ruim.

Espero que tenham gostado!! Deixe seu like e seu comentário!!

 

to the bone

 

 

 

 

Fontes das imagens: http://cronicasdoagora.xpg.uol.com.br/o-minimo-para-viver-filme-netflix-sobre-anorexia/

https://theculturetrip.com/north-america/articles/glamorizing-anorexia-is-a-non-issue-in-to-the-bone/

2 Comments »

  1. Olás! Gosto muito do texto de vocês. Convido a conhecer meu site onde eu também venho escrevendo sobre psicologia, séries, livros, enfim, um pouco sobre esse universo psi.
    O filme é muito tocante e achei muito importante a ênfase que vocês deram à família. Trabalhei 7 anos numa enfermaria psiquiátrica e nosso trabalho só tem resultados se a família abraça o tratamento.
    Esperando o texto da semana que vem!

    Curtido por 1 pessoa

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